sexta-feira, 9 de março de 2012

Reflexões

  Tarde de um sábado quente, estava sentada à beira do jardim do quintal de casa, sentindo o Sol corando meu rosto, a grama pinicando minhas pernas, e uma brisa que às vezes me tocava de leve. Pensei sobre esse tal conceito de felicidade. Sentia-me tão plena ali, quieta e afundada em minhas próprias reflexões, pois é meu jeito de ser e ver o mundo que me faz feliz. Lembrei-me de um artigo que li uma vez numa revista: qualidade de vida é bem estar e saúde, "mens sana in corpore sano". A matéria mostrava fotos de empresários riquíssimos em viagens de férias na praia, mulheres esculturais suando em bicas numa academia moderna, uma família brincando num parque. Dizia que a qualidade de vida deve ser buscada e conquistada. Ri comigo mesma. Então temos que encontrar a felicidade em algum lugar que não em nós mesmos? Afinal, o que mais é qualidade de vida, além da nossa própria felicidade? Parece tão simples esse ato de ser feliz. Qualidade de vida mesmo é ser feliz e estar em paz consigo mesmo. Algumas pessoas são genuinamente tão felizes sem ter uma casa própria ou um carro novo, ou viajar pro Caribe uma vez por ano e saber falar três ou quatro idiomas.
   Pensei na minha própria vida. Nada fora do comum - pais separados, nada de viagens aos feriados ou férias, estudante de escola pública, relações ressentidas com algumas pessoas, alguns outros amigos que valem a pena, um namorado legal. Não faço academia, não tenho o corpo sarado, não pratico nenhum esporte, já não vou em médico nenhum há uns três anos, não faço meditação nem vou à igreja todos os domingos. No entanto, sou feliz, levo uma vida tranquila e me sinto bem comigo, exatamente do jeito que sou. Porque não adianta sair loucamente buscando viver de acordo com um conceito de felicidade pré-estabelecido. Não existe felicidade melhor do que ter a consciência livre de qualquer medo ou culpa, e poder fechar os olhos e respirar fundo, sentir o ar entrar em cada célula e aquecer o corpo por inteiro, vendo a graça divina no simples fato de estar vivo. Cada um tem seu próprio jeito de sentir-se bem, isso sim é qualidade de vida. Ocupar a mente e o corpo com aquilo que se gosta, não com o que é imposto.
   Eu acho, particularmente, que muitas pessoas de vida comum que moram numa favela são mais felizes que empresários que passam finais de semana em spas fazendo massagens indianas ou recebendo técnicas de relaxamento chinesas. Porque esse verdadeiro "sentir-se bem" está no modo como vemos as coisas, em fazer o melhor com aquilo que temos e podemos ser. A felicidade real eu encontro nas risadas com meus amigos verdadeiros, em cantar música sertaneja enquanto tomo banho, em rir de mim mesma quando choro à toa, em abraçar minha mãe e meus primos, que são meus anjinhos, em receber uma mensagem de "bom dia" do meu namorado, e até mesmo em estar sentada no jardim de casa numa tarde ensolarada pensando na minha própria existência. Essa, sim, é a minha qualidade de vida.

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