quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Momento abstrato

Sentindo-se só, cercada de gente. Muitas raças, cores, luzes, sons. Cheiros quentes, desconhecidos, encantadores, doces, amargos, azedos, quiçá salgados. Andou mais e viu-se num grande redemoinho de coisas, no vão do espaço cheio onde ninguém se ocupava em olhar ao redor. Aspirou o ar profundamente, sentindo uma sensação adentrar seu eu, preenchendo os vazios, as dúvidas e fazendo correr nas veias um jato de adrenalina. O desconhecido é inimaginável, é encantador. E viu então, naquele inferno de sabores, cores e dores um começo de paraíso, um novo respiro pra vida. Sorriu. Era ali que sempre deveria ter estado. Olhou para cima e quase não se via céu. Havia cor, muitas luzes e grandes anúncios de qualquer coisa que simplesmente não importava. O desconhecido estava ali, e nunca sentira tanta vontade de mergulhar nele. Fechou os olhos e lá dentro tudo continuou girando, girando, girando, girando...

2 comentários:

  1. SUPER inteligente este texto, me senti exatamente como a pessoa citada se sentiu e vi tudo que ela viu ! Parabéns !

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  2. Deus te deu vários dons... escrever é apenas um deles. Amei, nega!

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